In Eduarda Graciano livros resenha

The Virgin Suicides, Jeffrey Eugenides.


  "The shocking thing about the five Lisbon sisters was how nearly normal they seemed when their mother let them out for the one and only date of their lives. Twenty years on, their enigmatic personalities are embalmed in the memories of the boys who worshipped them and who now recall their shared adolescence: the brassiere draped over a crucifix belonging to the promiscuous Lux; the sisters' breathtaking appearance on the night of the dance; and the sultry, sleepy street across which they watched a family disintegrate and fragile lives disappear." The Virgin Suicides – 256 Páginas – Bloomsbury Publishing – Jeffrey Eugenides – Ano 2011 (Originalmente em 1993). 

                         



  Nos anos 70 uma pacata região suburbana nos EUA é abalada com o suicídio de cinco adolescentes - todas irmãs. Todo o conhecimento sobre o fato nos vêm através de um narrador que as conhecia e, junto com seus colegas, tinha uma obsessão por essas misteriosas garotas, que pareciam viver em seu próprio mundo. A história é contada vinte anos após sua ocorrência e percebemos como foi profunda a marca deixada nesses adolescentes, que tinham nas filhas dos Lisbon, seus amores platônicos.


  Que livro incrível! 





  Um narrador sem nome, numa espécie de relato jornalístico, conta a trágica história dessas garotas, que começou num verão dos anos 70. O mais interessante é que logo no primeiro parágrafo já nos deparamos com a chocante declaração: todas as meninas se suicidam!

   "Na manhã em que a última filha dos Lisbon resolveu que tinha chegado sua hora de se suicidar — foi Mary desta vez, e remédios para dormir, como Therese — os dois paramédicos chegaram à casa sabendo exatamente onde ficava a gaveta de facas, o forno a gás e a viga no porão, na qual era possível atar uma corda. Saíram da ambulância, em nossa opinião com a lerdeza de sempre, e o gordo disse baixinho: “não estamos na tv, pessoal, isso é o mais rápido possível”. Carregando o peso do respirador e da unidade cardíaca, passou pelos arbustos, que tinham crescido até ficarem monstruosos, e cruzou o gramado exuberante que costumava ser discreto e imaculado treze meses antes, quando os problemas começaram."
  (Tradução de Daniel Pelizzari - Companhia das Letras, 2013)
  
  É o fato de sabermos que em certo ponto do livro todas as garotas estarão mortas que aguça ainda mais nossa curiosidade e não nos deixa largar esse livro. Em dado momento acredito que estamos mais curiosos sobre como e quando elas se matarão do que sobre o motivo que as leva a isso. Bem mórbido, né?

  A atmosfera que permeia a narrativa é bastante mórbida mesmo. Tudo começa com a tentativa de suicídio de Cecília, a filha mais nova dos Lisbon (então com 13 anos - as idades das irmãs são 14, 15, 16 e 17), que corta os pulsos na banheira. Ela é salva a tempo, somente para concluir o ato cerca de três semanas depois, durante uma festa (a única festa na casa dos Lisbon) em que eles, ironicamente, "comemoram" sua volta do hospital. Sem a discrição e o silêncio do banheiro e das lâminas, dessa vez, a jovem se joga do segundo andar direto na cerca do jardim.



Hanna Hall como Cecília (Paramount Classics/Pathé, 1999)
(Paramount Classics/Pathé, 1999)
  “ - What are you doing here, honey? You're not even old enough to know how bad life gets. [...]
 - Obviously, Doctor, - she said,  - you've never been a thirteen year-old girl."*

  De todos os livros sobre suicídio que eu já li, achei esse o mais autêntico. Já havia visto o filme da Sofia Coppola há alguns anos mas pra ser sincera nem lembro se gostei ou não. Na foto acima (Hannah Hall interpretando Cecilia) transcrevi um trecho do livro que se trata, acho, da cena mais famosa do filme. Uma coisa eu sei: a adaptação não mexeu comigo como o livro. 



Companhia das Letras, 2013
 As meninas Lisbon são extremamente reprimidas: sua mãe não as deixa ler revistas de moda, passar batom e muito menos ir à festas. Após um certo acontecimento, inclusive, as garotas são proibidas de sair de casa, vivendo como verdadeiras prisioneiras. Creio que fica bem claro que essa repressão é o ponto chave do "suicídio em série" que acontece. 


"- Cecilia was weird, but we're not. [...] We just want to live. If anyone would let us."**

  Apesar disso, não podemos ter certeza absoluta, já que conhecemos Mary, Therese, Lux, Bonnie e Cecilia, através dos olhos do narrador, que morava na mesma rua e frequentava a mesma escola que elas. Por vezes os relatos se dão através de entrevistas, que o narrador e os colegas (todos obcecados com as Lisbon), conduziram para tentar entender essas mortes que tanto os abalaram e que mexem com eles ainda duas décadas depois. 

  Acreditem, os garotos foram coletando "provas dos crimes" e fizeram um verdadeiro arquivo - ou talvez um santuário - com fotos, roupas, acessórios e até mesmo um diário das meninas, tudo isso na tentativa de compreender o que levou as jovens à morte.

  O livro é repleto de simbolismos e por vezes o autor sai um pouco do assunto principal para descrever a paisagem, as coisas e até mesmo contar um pouco da vida de outros colegas e vizinhos. Ao meu ver essas descrições só enriquecem o livro, mas sei que muita gente não gosta, então estejam preparados. 
  .
  "As Virgens Suicidas" já teve suas edições em português trazidas para o Brasil por várias editoras, como a Rocco, a L&PMPocket e a Companhia das Letras.

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  * " - O que está fazendo aqui, querida? Você nem tem idade suficiente para saber o quão ruim a vida pode ser. 
    [...]
    - Obviamente, doutor, - ela disse, - você nunca foi uma garota de treze anos."

 ** " - Cecilia era estranha, mas nós não somos. [...] Nós só queremos viver. Se deixarem. "


 Este livro foi escolhido por conta da chamada Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio criada pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) e pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria). O Victor escreveu um artigo no blog sobre essa causa, que você pode acessar clicando aqui.

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14 comentários:

  1. Oi Eduarda!
    Eu já li a obra e gostei bastante, gostei muito dos garotos e como eles tentavam entender as irmãs. Mas a descrição me incomodou um pouco sim, não é um livro que leria de novo.
    Beijos

    www.lendoeapreciando.com

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    1. Eu já quero reler já... kkkk Quem sabe um dia...
      Bjs

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  2. Cara, ainda não conhecia esse livro, mas essa resenha me despertou muita vontade mesmo de ler! Parece ser pesado, mas muito interessante ao mesmo tempo. Adorei a resenha!
    Um beijão,
    Gabs | likegabs.blogspot.com ❥

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    1. Que bom que gostou! O livro é tudo. Se tiver a oportunidade, leia sim.
      Bjss

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  3. Hi! Great post and i love your photos!
    I just discovered your blog and I keep following it, would you follow me back?
    http://serendipia-aazul.blogspot.com.es/

    Have a nice day!

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  4. Oi Eduarda! Vc leu em inglês? Sou doida pra ler livros em inglês, hahah
    Parece ser bem forte a história, n conhecia!
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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    1. Oi Carol. Li sim. A leitura não é difícil não... por ser inglês americano e uma história escrita nos anos 90. Mas é bom ter alguma prática mesmo pq tem bastante passagens metafóricos e simbólicas.
      É ótimoooo! Super recomendo esse livro!

      Bjss

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  5. Oi, Eduarda!
    Eu tenho uma amiga que é louca por esse livro. Eu tenho vontade de ler e assistir o filme; só preciso tomar vergonha na cara.
    Menina, Christina Lauren são duas mulheres (uma Christina e a outra Lauren). Aí elas se juntaram e criaram esse pseudônimo.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe das promoções em andamento e ganhe prêmios maravilhosos

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    1. O filme eu sinceramente nem lembro, mas é Sofia Coppola né, então o povo puxa saco mesmo... hehe
      O livro é tudo!


      Ahhhh, imaginei mesmo. Criativo da parte delas, hahaha.

      Beijos!

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  6. Já vi muitas pessoas indicando esse livro, mas nunca me interessei até hoje. De repente fiquei curiosa aqui, instigada!

    Jaci
    Uma Pandora e Sua Caixa

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    1. Recomendo com força, viu? hehehe
      TUDO DE BOM!
      Bjss

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  7. Oi Eduarda!
    Eu sou apaixonada por esse livro! Que história forte...que narrativa sensível. Acho incrível como o autor conseguiu contar algo tão trágico de maneira tão poética. As descrições fazem parte da beleza da maneira como a história é contada.
    Beijos.
    alemdacontracapa.blogspot.com

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