In Eduarda Graciano livros resenha

Anne de Green Gables, L. M. Montgomery.


  "Uma menina de 11 anos, com cabelos ruivos, sardas e uma mente tão perspicaz quanto a de um cientista em busca de conhecimento, chega a uma terra onde as tardes são calmas; os pores do sol alaranjados; as florestas aconchegantes; e os rios suaves, como o ritmo do povoado. Sua boca é uma matraca, e seus sonhos são maiores que moinhos de vento. Anne vai crescendo e crescendo, e de patinho feio revela-se um elegante e atento cisne, pronto para abrir suas asas e voar para além das veredas. Mas a vida é feita de artimanhas, e a garotinha adotada pelos irmãos Marilla e Matthew tem algumas cercas a pular, sem jamais deixar seus sonhos desvanecerem, como algumas criaturas fazem." Anne de Green Gables – 480 Páginas – Martins Fontes – L. M. Montgomery – Ano 2009 (Originalmente em 1908).

                         
                                                    
                                                       
                                                           


  Matthew e Marilla Cuthbert são um casal de irmãos que mora em Green Gables, uma propriedade rural na comunidade de Avonlea (fictícia, na história se situa na Ilha Príncipe Eduardo) no Canadá. Como ambos nunca se casaram e só têm um ao outro, moram juntos, e enquanto Marilla gerencia a casa, Matthew cuida da fazenda. 

  Com a idade chegando eles percebem a importância de ter alguém para ajudar nos afazeres. Os dois decidem então adotar um garoto para auxiliar nos trabalhos, sobretudo na fazenda, cujos serviços estão deixando cada vez mais cansado o pobre Matthew, que já não anda bem do coração.

  Os arranjos para a adoção são feitos, mas uma falha na comunicação faz com que o Sr. Cuthbert encontre na estação não o pré-adolescente que ele esperava, mas uma garotinha ruiva e sardenta de 11 anos, com grandes olhos cinzentos e uma enorme vontade de se conectar!



  Anne Shirley é uma das personagens mais peculiares com quem já me deparei. Cheia de imaginação e sem conseguir guardar o que pensa, a menina é uma verdadeira figura! 

  Os Cuthbert decidem, de início, devolver a garota ao orfanato, já que uma menina seria de pouca serventia para o objetivo deles. Embora Matthew tenha se encantado por Anne no momento em que ela começou a conversar com ele, Marilla é um pouco mais difícil de convencer, decidindo inclusive testar a garota - que está empenhada em se provar "útil e agradável" aos irmãos.

    "[...] Mas a bruxinha sardenta que tinha a seu lado era muito diferente e, embora achasse muito difícil acompanhar os efervescentes processos mentais da menina com sua inteligência mais vagarosa, ele percebeu que "meio que gostava do palavrório dela."





  Anne de Green Gables, que se passa no início do século XX, é o típico livro "primaveril". A autora destaca muito a paisagem e, mesmo narrando em terceira pessoa, nos faz entrar na mente contemplativa de Anne, que ama a natureza e em tudo acha um pretexto para imaginar mil e uma estórias. Sua imaginação é seu forte, já que a garota teve uma infância muito difícil - ela nem sequer se lembra dos pais - trabalhando desde muito cedo e não tendo ninguém no mundo por ela. 

  Apesar de já conhecer muito mais do lado ruim da vida do que a maioria das garotas de sua idade, Anne brinda àqueles a sua volta com uma inocência e um otimismo que são contagiantes! Nesse sentido, o livro tem um quê de "Poliana" (outro que eu amo de paixão!), sendo uma leitura muito "colorida" e feliz. É claaaaaro que existem partes tristes também (bastante tristes) e eu chorei feito bebê no final. A escrita se torna melancólica nas partes mais pesadas e a gente termina o livro assim: triste e feliz ao mesmo tempo. 

  Sendo o primeiro de  oito volumes (além de outros três volumes de crônicas, contos e citações), em Anne de Green Gables acompanhamos a vida de Anne Shirley - agora Anne Shirley Cuthbert, dos 11 aos 16 anos (e uma das coisas que eu admiro é a sutileza e a fluidez com que o tempo passa na estória), portanto as 480 páginas abrigam incontáveis aventuras! Nossa protagonista tem o dom de se meter em encrencas como ninguém - sempre com a melhor das intenções, claro. 

  " - [...] Mas minha intenção não era ser má. É tão fácil ser má sem saber, não é?"

  Além dos apaixonantes Cuthberts ficamos amigos íntimos da fofoqueira (mas de grande coração) Sra. Rachel Lynde, a vizinha e amiga de Marilla que no começo não aprova Anne nem um pouco; Diana Barry, o espírito mais afim que alguém poderia ter - uma das amizades mais lindas que vocês verão; Gilbert Blythe, o colega de classe de Anne e Diana, de quem logo Anne chama a atenção, mas que ganha seu completo desprezo (e um galo na cabeça); além de incontáveis outros personagens, talvez menos importantes, mas nem por isso menos carismáticos.

  Recomendo sem pestanejar! Impossível não se apaixonar pela tagarela Anne, que mesmo diante dos momentos amargos da vida mantém uma gratidão por pertencer a este mundo e uma vontade de seguir em frente espalhando alegria, que são inspiradoras. É impossível não deixar Green Gables mais contemplativo e grato pela existência!

   " - Escute só as árvores falando enquanto dormem - ela cochichou quando ele a ergueu em seus braços, para ajudá-la a descer da charrete. - Devem estar sonhando com coisas boas!"

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4 comentários:

  1. Oi, Duda!
    Menina, não sabia que era uma série com essa quantidade de livros... bem interessante.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe das promoções em andamento e ganhe prêmios maravilhosos

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    1. Sim, são muitos. A história acompanha a Anne até a terceira idade rs.
      Bjs!

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  2. Quando estava lendo a resenha me lembrei de Poliana e depois você citou que tem um quê deste livro, que é um clássico para mim, me interessei no livro.
    Abraços,
    Gisela
    Ler para Divertir

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    1. Lembra muito Poliana e (apesar de gostar ainda mais de Poliana) é tão encantador quanto! Além disso, esse abrange muito mais tempo e acontecimentos da vida da personagem, então é até mais fácil de se apegar rs. Além de ter váriooos livros da série pra se divertir. Super recomendo!
      Beijão!

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