In Eduarda Graciano livros resenha

O Escultor, Scott McCloud.


  "David vai dar sua vida pela arte. Literalmente.
  Após um acordo com a Morte, o jovem escultor obtém seu desejo de infância: esculpir o que quiser com as mãos nuas. Mas agora que só lhe restam 200 dias de vida, decidir o que criar é mais difícil do que ele pensava. Descobrir o amor de sua vida na penúltima hora não ajuda em nada.
  Uma história sobre paixão que supera os limites da razão; sobre o compasso frenético e desajeitado do amor jovem; e um retrato belíssimo das ruas da cidade mais fantástica do mundo. Daqueles momentos pequenos, queridos e humanos da vida cotidiana... e das forças enormes que revolvem logo abaixo da superfície." The Sculptor  496 Páginas – Jupati Books – Scott McCloud – Ano 2015.

                 
                                           
 
                                                                   


  David Smith é um rapaz que deseja ser mais do que esse nome tão comum. Ele é um escultor que está esquecido no mercado e não vê mais sentido na vida.

  Certo dia, ele se encontra com a própria Morte. O Ceifador, que assumiu a forma de seu tio avô Harry, faz uma proposta: David terá à sua disposição a habilidade de transformar qualquer material com as próprias mãos. Em troca, o Ceifador pede a única coisa esperada: sua própria vida. A partir do momento em que aceitar o acordo, ele terá apenas 200 dias para viver.

 " - Eu não tenho medo de morrer, Harry.
  - Com o tempo vem."



  
  David é solitário e deprimido. Ele perdeu toda a família (o pai, a mãe e a irmã, um de cada vez) e quase não tem amigos. Seu melhor amigo, Ollie, faz de tudo para ajudá-lo, mas ele e David se desentendem bastante, sobretudo por conta do namorado de Ollie, Finn, que David sabe que está apenas usando-o.

  Sem rumo, dinheiro e perspectivas, um dia ele encontra o tio-avô - morto há anos - e este se apresenta como sendo o Ceifador. Os dois conversam, tomam café, jogam xadrez (O Sétimo Selo mandou lembranças), e ele lhe explica como funcionam as coisas "do lado de lá". Assim, David tem diante de si uma proposta: poderá criar o que quiser e sair da crise (criativa, financeira e de identidade) que o assola, mas em troca terá apenas 200 dias para viver. Tudo o que ele quer é ter pelo que viver, ainda que o tempo seja limitado... então, sem pensar duas vezes, aceita o acordo e passa a descobrir o que pode fazer para mudar o mundo através de arte com o tempo que lhe resta.

  David só não esperava que, a partir de uma performance da qual sem saber faz parte - "O Triste" era uma performance de intervenção onde ele era o personagem principal - Meg cruzaria seu caminho e bagunçaria todos os seus sentimentos.

   " - Viu a neve hoje de manhã? O sol fez ela brilhar como um palácio de cristal... [...] Ficou tudo diferente, Harry. E tudo por causa dela."




  Um protagonista deprimido resultou mesmo numa leitura deprê. David é um pessimista convicto e toda vez que ele se sente motivado parece que alguma coisa dá errado. Por vezes ele diz achar que é vítima duma maldição. E é o que parece mesmo. Pra completar, ele encontra a Meg, que é doida varrida - inconsequente e irresponsável, como ela mesma aponta; e que com certeza tem transtornos psicológicos também (o livro deixa claro o fato de ela precisar de remédios, mas não temos seu diagnóstico).

  Achei que o romance deu um tom meloso (o que pra alguns deixa mais deprê) à obra e talvez não fosse isso eu teria ficado mais triste lendo. Não me identifiquei muito com nenhum dos protagonistas (apesar da melancolia) mas gostei muito do final da história. (Que vocês vão ter que ler pra descobrir se é feliz ou não.)

  "- Eu sempre achei que a Morte vence no final, sabia? Mas isso não é verdade, é? Não importa o quanto você malha a gente, a vida sempre descobre um jeito de crescer."

  Em se tratando de uma HQ não posso deixar de lado as ilustrações: elas foram feitas pelo próprio autor e são magníficas! Monocromáticas, é verdade, com certeza de propósito. Não faria sentido esse livro todo colorido. Mesmo assim conseguimos apreciar a beleza da cidade de Nova York nos traços detalhados e caprichosos de McCloud.

  Ao final, os questionamentos que ficam são: Qual a importância real da arte? Ela é mesmo subjetiva?
  E vale a pena correr os riscos da decepção para ir atrás dos grandes sonhos? Ou devemos nos contentar com a simplicidade de ser "só mais um" dentre os seres humanos?

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3 comentários:

  1. Oi Eduarda!
    Não conhecia essa HQ, mas achei bem interessante! Ainda mais com esses questionamentos :)
    Beijos

    www.lendoeapreciando.com

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  2. E eu que acho que ser só mais um já é difícil demasiado difícil digo o que após essa resenha? Também sou uma pessimista, não é a toa que gosto tanto do mito da Pandora, mas acredito na possibilidade de uma pequena luz no fim do túnel por isso continuo fazendo as coisas que faço. Por tudo o que você disse fiquei com muita vontade de ler essa HQs/Graphic Novel!

    Jaci
    Pandora e Sua Caixa

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  3. Ainda não tinha ouvido falar do livro, mas já tô numa fase deprê demais pra me dar ao luxo dessa leitura hahaha de qualquer jeito, achei a história bem original e as ilustrações são realmente lindas, o autor é muito talentoso!
    Um beijão,
    Gabs | likegabs.blogspot.com ❥

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