In Eduarda Graciano livros resenha

O Colecionador, John Fowles.



  "Frederick Clegg é um funcionário público que coleciona borboletas por hobby e, subitamente, se torna dono de uma fortuna. Ele então passa a ter uma ambição: seqüestrar a bela Miranda, seu amor platônico. A trama se desenvolve com a disformidade da personalidade de Clegg, que tem a seu favor apenas a superioridade de força, contra a vitalidade e inteligência de Miranda que, contando com sua superioridade de caráter, confunde e ofusca o medíocre seqüestrador." The Collector  234 Páginas – Editora Abril – John Fowles – Ano 1980 (Originalmente em 1963).



                                                     



  Frederick Clegg é um rapaz solitário e antissocial. Funcionário público, ele não se dá bem com os colegas de trabalho e tem por hobby a entomologia. Mais precisamente, as borboletas, que ele coleciona.

  Próximo ao seu local de trabalho, trabalha também Miranda Grey, uma estudante de artes que capta a atenção do rapaz e por quem ele logo se vê completamente obcecado.

  Um golpe de sorte faz com que Frederick descubra como ser notado pelo objeto de seu "amor": ao ganhar uma quantia muito alta de dinheiro numa aposta, ele compra uma casa no meio do nada e resolve sequestrá-la, na tentativa de fazer com que a convivência faça ela se apaixonar por ele.

   "Vê-la fazia-me sempre sentir como se estivesse capturando uma verdadeira raridade, como se me aproximasse com todos os cuidados, silenciosamente, de uma borboleta de cores difusas e muito belas. Sempre pensei nela como algo indefinível e raro, bem como refinado não com outras palavras, mesmo as mais bonitas. Palavras de um autêntico conhecedor."

  Miranda despreza, tem nojo e, nos melhores dias, pena de Calibã (personagem de A Tempestade, de Shakespeare, com o qual ela o compara). Aí começa um embate psicológico entre esses dois protagonistas, que temem perder definitivamente a coisa mais importante de suas vidas: para Frederick, Miranda; para a moça, sua liberdade.





  Conheci esse livro quando a Tatiana Feltrin falou do filme à que ele deu origem em seu canal no youtube (clique aqui para acessar). Fiquei extremamente curiosa e foi justamente porque, no vídeo, ela contava o final da história.

  Esse suspense psicológico de primeira foi o primeiro romance do autor inglês John Fowles e não sei como não é tão conhecido.

 “Os homens são asquerosos (...). O mais asqueroso que eles têm é poderem dizer isso com uma expressão toda sorridente."

 O livro alterna os pontos de vista de Frederick e de Miranda (que cita muito Jane Austen, ponto pro Fowles) e, como não pode deixar de ser num livro bem escrito, conseguimos diferenciar perfeitamente os pensamentos de um e de outro. Não que não seja apontado, mas quero dizer que os personagens são construídos de forma magistral, de forma que acreditamos piamente nessas duas personalidades.


 Frederick é tímido, solitário e, descobrimos conforme avançamos, um sociopata completo. Foi abandonado pelos pais, criado pela tia e não tem empatia por ninguém. Em todo seu transtorno, tem uma determinada moral, que faz com que admire a jovem Miranda, por quem acaba desenvolvendo uma paixão platônica. Ela, por sua vez, é totalmente seu oposto. Tem um círculo de amigos, um interesse amoroso, estuda, trabalha, tem hobbies e ama a vida e a liberdade de forma que nos dói - sabendo de sua condição. 

  "(...) todos os loucos devem ser assim. Não são loucos na maior parte do tempo; (...) Eu sou a sua loucura. Há muitos anos que ele procurava algo para libertar a sua loucura. E encontrou-me."

  São esses os dois personagens da história de Fowles, os outros são meros figurantes para compor suas vidas. Os pensamentos de Miranda conhecemos através das anotações em seu diário e às vezes ela consegue ser tão chata e pedante (assim como, aparentemente, o são seus amigos) que fica difícil sentir empatia por ela também. 

  Esse aspecto da escrita, entrando na mente de ambos os protagonistas, serve para nos fazer refletir o fato de todos os seres humanos terem defeitos, sentimentos e direitos. Confrontamos nossos próprios preconceitos e nossa moral durante a leitura.






  O Colecionador é um livro tenso e forte. Não recomendo a leitura pra quem não curte uma coisa pesada.
  Há quem diga que o final é clichê. Eu não acho não. E adoro. Ainda que eu tenha ficado dias perturbada.
 Falando em perturbação, deixo vocês com o cartaz do filme O Colecionador (William Wyler, 1965), que representa um dos trechos mais perturbadores do livro, e que quando eu vi, triplicou minha vontade de ler! 

Imagem relacionada
Columbia Pictures, 1965

Posts relacionados

0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado pela visita! =] Volte sempre, com certeza teremos novidades quentinhas pra você!