In Eduarda Graciano livros resenha

O Conto da Aia, Margaret Atwood.


  "Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano." The Handmaid's Tale  368 Páginas – Editora Rocco – Margaret Atwood – Ano 2006 (Originalmente em 1985).


                                                  O Conto da  Aia



  Offred, aos 33 anos, leva uma vida um tanto solitária e monótona. Isso se deve ao fato de que ela é uma aia na República de Gilead, local que um dia já foi os Estados Unidos da América.

  Em Gilead, controlada por uma facção católica num regime onde nenhuma mulher é dona de si, as aias são responsáveis por gerar filhos para casais poderosos onde a mulher não consegue engravidar.

 A protagonista nos relata, sem melindres, a vida daquelas de sua classe nessa nova realidade, aquelas que não passam de "úteros com pernas".

   "Conto, em vez de escrever, porque não tenho nada com que escrever e, de todo modo, escrever é proibido. Mas se for uma história, mesmo em minha cabeça, devo estar contando-a a alguém. Você não conta uma história apenas para si mesma. Sempre existe alguma outra pessoa. Mesmo quando não há ninguém. Uma história é como uma carta."





  Nem o nome da narradora nós sabemos. É claro que ela não se chama Offred, que tipo de nome seria esse? Sendo uma aia, Offred recebe apenas o prefixo Of + o nome de seu Comandante para ser identificada. 

  Os Comandantes são os homens poderosos do regime. Mulheres poderosas não existem, apesar de algumas invejarem o posto das Esposas, que são casadas com eles. Offred acredita que todas são infelizes à sua maneira, e nos apresenta mais intimamente Serena Joy, a esposa de seu Comandante.

 “ (...) Invejo a Esposa do Comandante por seu tricô. É bom ter pequenas metas que podem ser facilmente alcançadas. O que ela inveja em mim? Ela não fala comigo, a menos que não possa evitar. Sou uma vergonha para ela; e uma necessidade."

 Exceto pelo finalzinho, o livro é totalmente narrado por Offred, que faz observações de todo tipo sobre as pessoas e a realidade que a cercam: detalhistas, passageiras, irônicas, filosóficas...


 Ela divide-se entre relatos do presente e lembranças de um passado que parece há muito distante. Às vezes de um passado não tão distante, como a manhã daquele mesmo dia ou a hora do almoço. Por vezes passado e presente estão tão intercalados que chegamos a nos confundir.

  "Vivíamos, como de costume, por ignorar. Ignorar não é a mesma coisa que ignorância, você tem de se esforçar para fazê-lo. Nada muda instantaneamente: numa banheira que se aquece gradualmente você seria fervida até a morte antes de se dar conta."

  Os "nomes" (nem todo mundo tem nome aqui, né?) que mais vemos durante a história, além do Comandante e sua Esposa, são os de Cora e Rita, as Marthas (ou empregadas) da casa onde ela vive, que Offred até hoje não sabe se gostam dela ou se a suportam; Nick, o motorista do Comandante que possivelmente é um Olho (os espiões do governo) e com quem Offred se envolve; Moira, melhor amiga da protagonista da época da faculdade, que frequentou com ela o Centro Vermelho (uma espécide de centro de treinamento para se tornar aia) e de quem ela anseia por notícias; Ofwarren, Janine em outros tempos, descrita pela narradora como uma "víbora manhosa" hahaha; Ofglen, companheira de compras de Offred, o mais próximo de uma amiga que ela tem no momento; e Tia Lydia, responsável no Centro por sua "formação" de aia. As Tias são como monitoras e inspetoras das moças, andam até mesmo com aguilhões elétricos pra tocar gado, para manter a ordem no recinto e não deixar suas "vaquinhas" se dispersarem.

 Além disso, sempre em lembranças, temos a mãe de Offred, aparentemente uma feminista radical em outros tempos, o marido de Offred, Luke, e a filha deles - a grande motivação de Offred para passar por esse inferno, na esperança de vê-la de novo um dia. Como Offred era a segunda esposa de Luke, o casamento dos dois foi anulado e a filha enviada para um centro de adoção.








  É quase como um diário.

  A narrativa de Offred é permeada por um humor ácido e negro. Acho que nunca um livro se encaixou tão bem no termo "rir de nervoso". Fiz isso incontáveis vezes durante a leitura. 

 " Sento à pequena mesa, comendo creme de milho com um garfo. Tenho um garfo e uma colher, mas nunca uma faca. Quando há carne eles cortam para mim antes de trazer, como se me faltasse capacidade manual ou dentes. Tenho ambos, contudo. É por isso que não me permitem ter uma faca."

 Como já havia visto duas vezes a primeira temporada da série da Hulu, baseada nesse livro, fui com expectativas altas (preenchidas com sucesso) e preparada para o que ia encontrar. De fato, a série é bastante fiel mas todo o impacto que eu senti assistindo (acreditem, a adaptação é ainda mais forte) eu senti novamente lendo. Só queria sentar no cantinho e chorar.

  Recomendo sem pestanejar tanto o livro quanto a série, mas se eu fosse vocês esperaria até abril, quando estreia a segunda temporada (dia 25) pra não sofrer tanto por uma continuação dessa história tão impactante.

  Abençoado seja o fruto!

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12 comentários:

  1. Olá Eduarda tudo bem?
    Eu quero tanto ler esse livro, sei que vou amar!
    Amei conhecer o blog, estou seguindo <3
    Beijos

    estanteclassica.blogspot.com

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    1. Tenho certeza que vai. Não conheço ngm que não tenha amado!
      Ahhh obrigada! Passando no seu!
      Bjss

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  2. Oi, Duda

    Eu comprei esse livro ano passado assim que a série foi anunciada, pois minha intenção era lê-lo para depois assistir a série, só que acabou não rolando ainda. Mas essa é uma leitura que com certeza será feita esse ano e acho a proposta excelente, já li um livro sobre "parideiras" mas tinha uma pegada mais adolescente. O nome é Eva, conhece?

    Só estou na dúvida sobre essa segunda temporada... ainda contará a história do livro ou será uma história inventada?

    Sobre sua pergunta na postagem de divulgação de Renitências do Amor: não, não é hot. É um NA mais maduro e tem umas cenas sensuais sim, mas esporádicas e de bom gosto! ;)

    Beijos
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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    1. Não conheço não, Tami. Pelo menos não me lembro.

      A segunda temporada vai ter uma história inventada, já que a primeira acaba junto com o livro. Fico meio receosa mas pelo teaser tá um negócio MUITO caprichado!

      Ah obrigada por esclarecer =D =D Vou dar uma procurada.
      Bjss

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  3. Uma amiga minha já tinha me falado sobre esse livro e eu já estava com muita vontade de ler. Essa vontade só cresceu depois de ver como a série foi premiada nos prêmios desse ano (Emmy, Globo de Ouro, etc). Só deu essa série. Deve mesmo ser ótima!

    =)

    Suelen Mattos
    ______________
    ROMANTIC GIRL

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  4. Oi Duda,
    Eu estou muito ansiosa pela segunda temporada AIMEUDEUS
    Odeio aquele Commander, quero ele pegando fogo.
    Também estou doida para comprar e ler o livro, mas agora não rola. Imagino quando estiver em mãos será a mesma expectativa que você e terei mais ou menos os mesmos sentimentos. Só de ler a resenha, o ódio por isso tudo me sobe de novo...aii. É tão real, que dói e nos rasga profundamente.

    bjs e ótima resenha!
    Nana - Canto Cultzíneo

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    1. Duas! hahah a gente assiste/lê com "sangue no zóio" né?
      PRECISO da s2 urgente!!!

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  5. Olá, Eduarda.
    Eu comprei esse livro porque li resenhas muito elogiosas do livro. Mas ainda não consegui encaixar ele na minha lista de leitura. Só que agora lendo sua resenha me deu uma vontade de passar ele na frente dos outros hehe. A série quero assistir depois de ler. Que bom que é bem fiel.

    Prefácio

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  6. Oii Eduarda, amei a resenha, menina eu tô louca para ler esse livro, mas preciso ir preparada pq a história é mt forte pelo o que eu leio das resenhas, vou ver se leio no próximo mês para poder assistir a série.
    -Beijos,Carol!
    http://entrehistoriasblog.blogspot.com.br/

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    1. Olha, a série é MAIS forte ainda viu? kkkk Recomendo ambos!
      Bjss

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