In Eduarda Graciano

Orgulho e Paixão: Primeiras Impressões.


                        


É claro que a louca por Jane Austen aqui não ia deixar passar batida essa “adaptação” da Rede Globo. Coloco em aspas porque trata-se que fique claro, de uma novela “inspirada” em seis histórias da Jane: Orgulho e Preconceito, Emma, Razão e Sensibilidade, Mansfield Park, A Abadia de Northanger e Lady Susan.
(Ficou confuso? Aqui tem um post da autora Moira Bianchi explicando quem é quem nessa salada.

Já vou deixar claro que não gosto de novelas. É um gosto pessoal. Acho novelas melodramáticas, muito arrastadas (a maioria podia ter metade da duração) e quase sempre rendidas ao fanservice, o que eu detesto. Claro que como toda brasileira, cresci vendo novelas, e o fato de não gostar do formato não significa que de vez em quando eu não dê uma espiada em uma ou outra. De qualquer forma, sempre que começo uma, acabo reafirmando a mim mesma que novelas não são pra mim.
Mas eis que no segundo semestre do ano passado descobri que vinha por aí uma novela que eu seria obrigada a acompanhar!

Um crossover de seis histórias da Jane num formato no mínimo duvidoso (haja vista que as novelas são consideradas produto cultural inferior) serviu pra deixar muito fã de cabelo em pé! A frase “Jane Austen está se revirando no túmulo” nunca foi tão repetida desde o lançamento de Orgulho e Preconceito e Zumbis - o livro, porque o filme a maioria deu o braço a torcer e acabou achando engraçadinho (não foi meu caso).

Mas vamos a mais nova versão de (principalmente) Orgulho e Preconceito, com todas as mudanças convenientes e, por que não dizer, necessárias ao formato, ao país e ao público.
O plot principal da trama segue sendo a mãe desesperada para casar suas cinco filhas. Vera Holtz dá vida a uma Sra. Bennet ainda mais dramática do que achamos ser possível. Suas meninas, Elisabeta (ninguém se conformou não gente, mas aceita que dói menos), Jane, Mariana, Cecília e Lídia, têm personalidades bem diferentes, mas todas de certa forma sonham com um amor. Elas são vividas, respectivamente, por Nathalia Dill (minha musa, fui eu que pedi sim!), Pâmela Tomé, Chandelly Braz, Anaju Dorigon e Bruna Griphao.

 

O personagem de escalação mais aguardada não poderia deixar de ser o mocinho austeniano mais famoso, marcado principalmente pelas interpretações de Colin Firth e Matthew Macfadyen. Agora... Se no mundo austeniano a briga “quem é o melhor Darcy” já é forte, imaginem o frisson que não ia causar um Darcy tupiniquim. Eis que Thiago Lacerda (com 40 anos hoje) foi escolhido para o papel e divide opiniões por diversos motivos: as crushadas no Matteo, no Giuseppe Garibaldi e no Capitão Rodrigo certamente babaram, mas tem sempre aquelas que o acham “muito velho” (tenham dó, o Colin não era nenhum mocinho quando fez o Sr. Darcy) ou que não gostam de seu trabalho. Até dos muitos sorrisos do personagem já reclamaram.

Mas e o ódio que já está sendo destilado para o lado de Orgulho e Paixão como um todo? De onde vem?

Em primeiro lugar queria dizer que nós, as janeites, já estamos sendo chamadas de “talifãs” pela internet afora porque existe uma discussão massiva sobre essa “adaptação” e até mesmo boicotes e protestos. Mesmo existindo os fãs puristas que abominam qualquer adaptação, o problema para as fãs, dessa vez, está no país. Que presunção trazer O&P pro Brasil, né?

Em 2015 Gabriel Sater e Lucy Alves (esta coincidentemente cantando a música de abertura da novela) protagonizaram Nuvem de Lágrimas, um musical baseado em Orgulho e Preconceito embalado somente por músicas do Chitãozinho & Xororó, e é claro que antes de estrear a produção já parecia ter mais haters do que Hitler e Bin Laden juntos. Eu, é claro, fui conferir e só posso dizer que saí com os olhos cheios d’água... Como alguém pode pensar que Darcy e Lizzie embalados por Evidências dariam errado? haha
Aparentemente, nesse país se sofre de um tipo de síndrome de inferioridade que é auto promovida. Vou deixar aqui o link de uma matéria muito legal escrita pela Valéria, do Shoujo-Café, que trata justamente de Orgulho e Paixão e o preconceito com o produto nacional.

Voltando à novela, minhas primeiras impressões (sabiam que esse era o título original de Orgulho e Preconceito?) foram mais ou menos o que imaginei: as chamadas mostraram de cara muito drama e interpretações exageradas, às vezes muito teatrais, mas mesmo assim não consigo não estar com as expectativas lá em cima. Em primeiro lugar: é Jane Austen! E em segundo lugar vários casais pra shippar (inclusive aqueles que nada têm a ver com o universo da autora).


Eu posso até não gostar da novela - e isso eu conto quando acabar, mas sempre defenderei o direito de adaptarem! Adaptação/inspiração, tá aí pra isso mesmo: pra tirarmos histórias de outras histórias.

E uma história protagonizada por seis fortes mulheres é exatamente o que precisávamos agora. Acredito que Orgulho e Paixão dará, de forma ainda menos sutil do que Jane, uma amostra de empoderamento que vem no melhor momento possível, que é quando o feminismo está mais em alta do que nunca.


Além disso, pelo que pudemos espiar até agora a fotografia está de tirar o fôlego e juntamente com as cores utilizadas (principalmente nos figurinos das protagonistas), contribui para uma trama extremamente alegre e vivaz. Algo me diz que essa novela será o “frescor das 18h”, um entretenimento para nos fazer sorrir, sonhar e nos distrair. Se vem calcada em Jane Austen, tanto melhor, porque talvez seja o início da história de alguém com essa escritora maravilhosa!

Às vezes parece que as janeites não querem dividir a autora com mais ninguém. Que egoísmo é esse? Aliás, que preconceito é esse? Parece até que não tiraram nenhuma lição do livro. Eu quero mais é espalhar Jane Austen! Pode vir uma adaptação por ano, em qualquer formato e com quaisquer mudanças – por mais que se afastem da obra original em seu decorrer – que é ótimo. Vocês precisam colocar na cabeça que simplesmente não existe “estragar o livro”, porque no livro ninguém vai mexer.

É disso que precisamos agora: Menos preconceito e mais paixão! Quanto mais Jane Austen melhor!


Fonte de imagens: Rede Globo



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5 comentários:

  1. Olá Eduarda!
    Apoiado hahaha
    Para mim as adaptações sempre serão releituras de alguma forma, o importante é a essência e o compartilhamento da inspiração para o projeto, sendo nesse caso nossa amada Jane. Acho muito válido essas releituras e acho ainda melhor que todos vão poder saber um pouco mais sobre as histórias dessa autora fantástica.
    Adorei seu post e espero conseguir acompanhar um pouco a novela.
    Beijos!

    Books & Impressions

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    Respostas
    1. Obrigada, Raissa!
      Tomara que vc consiga ver sim. Eu gostei do primeiro capítulo, super divertido!

      Bjs

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  2. Menina, tô contigo e não abro, hehe. Eu tb não assisto novelas, mas essa estou fazendo questão de acompanhar. E confesso que estou amando. Tô super empolgada! Espero que fique cada vez melhor!

    =)

    Suelen Mattos
    ______________
    Romantic Girl

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  3. Olá Eduarda! Também sou uma apreciadora das obras de Jane Austen e sou totalmente a favor das adaptações,sou obcecada por novelas e estou com boas expectativas para Orgulho e Paixão. Adorei a matéria! Beijos.

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