In Eduarda Graciano livros resenha

A Hora da Estrela, Clarice Lispector.



"A história da nordestina Macabéa é contada passo a passo por seu autor, o escritor Rodrigo S.M. (um alter-ego de Clarice Lispector), de um modo que os leitores acompanhem o seu processo de criação. À medida que mostra esta alagoana, órfã de pai e mãe, criada por uma tia, desprovida de qualquer encanto, incapaz de comunicar-se com os outros, ele conhece um pouco mais sua própria identidade. A descrição do dia-a-dia de Macabéa na cidade do Rio de Janeiro como datilógrafa, o namoro com Olímpico de Jesus, seu relacionamento com o patrão e com a colega Glória e o encontro final com a cartomante estão sempre acompanhados por convites constantes ao leitor para ver com o autor de que matéria é feita a vida de um ser humano". | Clarice Lispector – Editora Rocco – 88 Páginas – Ano 2008 (Originalmente em 1977) – Literatura brasileira, romance.


Macabéa, como tantas, sai do Nordeste em busca de uma vida melhor no Rio de Janeiro e simplesmente este é seu cotidiano. Trabalha como datilógrafa, namora Olímpico, possuí prazeres diários – como ouvir a Rádio Relógio – e tem diversas lembranças dolorosas de seu passado sofrido.

Nossa primeira Clarice a gente nunca esquece, não é mesmo?! E essa obra me tocou de tal forma atualmente quanto a nove anos atrás quando a li pela primeira vez. A leitura é fluida, porém nada fácil.

Para me fazer entender de forma clara: Macabéa chega com os dois pés no nosso peito. Isso mesmo! A história dessa jovem alagoana tem a capacidade, ou melhor, o poder, de nos fazer sentir vergonha de nós mesmos. Talvez não seja o seu caso, mas eu fiquei plenamente consciente do meu pequeno papel nesse país injusto em que vivemos.

"Sou um homem que tem mais dinheiro do que os que passam fome, o que faz de mim de algum modo um desonesto."

Nossa protagonista nada convencional talvez, num primeiro momento, não nos desperte simpatia, pois é humilde, ignorante, feia e extremamente simples - parece grosseiro, né? Ela tampouco se dá conta dos sofrimentos pelos quais passa. O primeiro sentimento que senti, de muitos, é aquela vontade de sacudir a personagem e depois de abraçá-la, ou então fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
 
Rodrigo S. M. é quem nos apresenta essa história. O personagem-narrador criado por Clarice é fascinado por Macabéa, com quem cruza o olhar na rua e então desvenda toda sua história. Ele pontua a narrativa com diversas observações sobre sua obra, sua “musa inspiradora” e reflexões sobre a vida no geral. O dito por muitos: “alter ego” de Lispector mostra aspectos tanto melancólico e até mesmo perturbado e no final não é o único.

A Hora é de Macabéa mas também é da reflexão, da dor e da beleza. Se você nunca leu Clarice Lispector é hora de começar.


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2 comentários:

  1. Olha, não é de hoje que ouço falar desse livro, mas essa foi a primeira resenha dele que li. Nossa, que tudo!!! Deve ser uma história bem legal mesmo!

    =)

    Suelen Mattos
    ______________
    ROMANTIC GIRL

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    Respostas
    1. É uma leitura incômoda, Su, mas por isso mesmo acho que é TÃO fascinante!
      Bjss

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