In Eduarda Graciano resenha.

As Meninas (The Girls), Lygia Fagundes Telles.


As meninas relata os conflitos no relacionamento de três jovens que têm entre si um ponto em comum, a solidão, e como pano de fundo os governos militares. Três universitárias compartilham com algumas freiras um pensionato em São Paulo. Ana Clara gosta de um traficante e vive drogada. Lia briga contra o regime. Lorena, filhinha de papai, ajuda as outras duas com dinheiro. Lia se envolve com Miguel, que é preso e trocado por um diplomata. Sem ligar para a política ou as drogas, Lorena se apaixona por um médico casado e pai de cinco filhos. Um enorme espaço separa o universo das pensionistas e seus dramas das religiosas, que se apavoram com a liberdade das três moças. Cada uma das personagens é um poço de conflitos e monólogos interiores que vêm à tona através das confidências íntimas de cada uma e que se ligam à miséria política e cultural da época. | Lygia Fagundes Telles – Editora Círculo do Livro – 247 Páginas – Ano 1978 – Romance.



Três jovens completamente diferentes entre si vivem em um pensionato de freiras na cidade de São Paulo e apesar do momento político que o país enfrenta, no auge da ditadura militar, elas ainda precisam lidar com seus próprios problemas e dissabores, estejam eles na família, no sexo, nas drogas ou mesmo no amor.

 Não sei se vocês se lembram, mas eu citei As Meninas como uma das minhas melhores leituras de 2017.  É impossível não sentir o impacto dessa obra e isso não se dá apenas pela história profunda que Lygia Fagundes nos entrega, mas principalmente pela forma como tudo é contado: o fluxo de consciência.

Não foi o primeiro livro no estilo que eu li, mas confesso ter sido o mais confuso. Esse é o tipo de livro que necessita de silêncio e concentração extrema para ser absorvido. É muito sutil a quebra entre os pensamentos de uma protagonista para a outra, portanto é muito fácil se confundir.

A história acompanha três mulheres, jovens, solteiras e estudantes. Todas essas características têm algum tipo de importância para a forma como elas encaram e “são encaradas” durante o período político que vive o Brasil: Lia, a Lião, estuda Ciências Sociais e é uma militante comunista; Lorena nasceu em berço de ouro e estuda Direito; Ana Clara, ou Ana Turva (aquela que entrega as partes, no mínimo, mais curiosas da narrativa – que tudo tem a ver com esse apelido), estuda Psicologia e sofre com o abuso de álcool e drogas.

Através da narração em fluxo de pensamento, entramos mesmo no mundo de cada uma delas e é assim que conhecemos os outros personagens, partes importantes da vida e reflexões das três. Eles são família, amigos, namorados (acreditem, esses dão trabalho), as irmãs do pensionato...


Havia lido somente uma antologia de contos da autora e adorei. Esse romance não fica atrás. Lygia construiu uma história magnífica sobre força e amizade e não hesitou em entregar um final de cair o queixo, que pra descobrir, vocês terão que ler.


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4 comentários:

  1. Oi, Eduarda.
    Que legal que se tornou uma das suas melhores leituras ano passado.
    Eu não li, mas com certeza Lygia merece destaque em nossa estante.

    Abraços
    Naty
    http://www.revelandosentimentos.com.br

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  2. Olá,
    A maioria dos blogs que visito sempre elogiam bastante a autora.
    Tenho muita curiosidade em conhecer a escrita e adorei a dica.

    até mais,
    Nana - Canto Cultzíneo

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    Respostas
    1. Lê sim, Nana.
      É muito bom! Recomendo os contos tb... "Venha Ver o Pôr-do-Sol" é incrível!

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