In Eduarda Graciano livros resenha

The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society, Mary Ann Shaffer e Annie Barrows.


“Janeiro de 1946 – Londres está saindo das sombras da Segunda Guerra Mundial e a escritora Juliet Ashton está à procura de um tema para seu próximo livro. Quem poderia imaginar que ela o encontraria na carta de um homem que nunca a conheceu e que a encontrou através de um livro de Charles Lamb que pertenceu a ela? Os dois começam a trocar cartas e logo Juliet se vê imersa no mundo desse homem e de seus amigos – e que mundo maravilhosamente excêntrico. A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata de Guernsey - que nasceu como um álibi no calor do momento, quando seus membros foram descobertos desrespeitando o toque de recolher dos alemães que ocupavam sua ilha – ostenta um encantador, divertido e profundamente humano grupo de pessoas, de criadores de porcos à frenologistas, todos amantes da literatura. Juliet começa uma notável correspondência com os membros da sociedade, aprendendo sobre a ilha, seus gostos literários e o impacto da recente ocupação alemã em suas vidas. Fascinada por suas histórias, ela embarca para Guernsey e o que ela encontra mudará sua vida para sempre”.  | Mary Ann Shaffer e Annie Barrows – Editora Allen & Unwin – 275 Páginas – Ano 2008 – Romance.



Juliet Ashton é uma londrina de 32 anos que escreve artigos para o jornal The Times. No ano de 1946, após o fim da guerra, com uma coletânea de artigos publicada e buscando um tema para seu próximo livro, a moça recebe uma carta de Dawsey Adams, um morador da ilha britânica de Guernsey que tem em mãos um livro de Charles Lamb que já pertenceu a Juliet. O rapaz escreve com a intenção de pedir informações sobre o livro e conversa vai, conversa vem, Juliet descobre que Dawsey faz parte de um clube do livro formado durante a ocupação alemã na ilha. Ela fica cada vez mais fascinada pelo local e seus moradores (outros membros do clube com quem passa a se corresponder), sobretudo com a história da fundadora Elizabeth McKenna, que foi levada para um campo de concentração e deixou sua filha de quatro anos sob os cuidados dos amigos. Assim, com uma fascinante história para seu próximo livro em mãos, Juliet viaja para Guernsey, sem saber que sua vida estaria prestes a mudar.

Já duvido que esse livro não vá figurar nas minhas melhores leituras do ano. Li sobre ele num grupo do facebook que participo e apesar do nome comprido e inusitado, minhas colegas garantiram que era muito bom. Ainda assim, estava enrolando um pouco para ler, porque se trata de um romance epistolar e não, não tenho nada contra, mas não é meu estilo de livro favorito. Em abril o filme adaptado do livro foi lançado no Reino Unido e quando vi o trailer não pude deixar a curiosidade de lado. Que decisão acertada!

Qualquer livro que tenha como pano de fundo uma guerra emociona. “A Sociedade Literária...” não só nos emociona, mas nos enche de esperança ao contar a história dos moradores da ilha de Guernsey e como eles estão no pós-guerra, tentando se recuperar das atrocidades que aconteceram ali. Esse livro vem com esse gostinho a mais de fé, união e amizade. É linda a relação dos membros da sociedade entre si e mais ainda quando se trata do elo que os une: Kit McKenna, uma garotinha de quatro anos que é o xodó de todos ali. Ela foi o resultado do amor proibido entre Elizabeth, a fundadora do clube literário – sabe aquelas personagens inspiradoras? Não é só a Juliet que ela instiga – e Christian Hellman, um soldado alemão. Elizabeth, que segue sem dar notícias, presa em um campo de concentração, não pode deixar de ser citada como uma das protagonistas dessa história. Eu diria até mesmo que ela é a base de tudo.

No prefácio e no posfácio do livro conhecemos um pouco da história da autora, Mary Ann Shaffer, que infelizmente faleceu antes da publicação e teve a ajuda da sobrinha Annie Barrows para finalizá-lo. Não sei quais foram os retoques que Barrows fez, mas não dá nem para perceber que foi escrito por duas pessoas. A narrativa e a vivacidade dos personagens me lembraram bastante a série Anne de Green Gables, inclusive sua estrutura epistolar, presente no quarto volume, Anne of Windy Poplars (que eu resenhei aqui). A história é fluida, leve, emocionante e repleta de personalidades carismáticas. Não vou nem começar a falar do Dawsey, que ganhou o selo Gabriel Oak de mocinho e também o meu coração!

Recomendo que não se deixem levar pelo estranhamento causado pelo título (no Brasil, o livro foi publicado pela Rocco em 2009 e se chama A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata) e leiam mais do que depressa esse sensível e emocionante retrato do pós-guerra contado pelo tipo de pessoas que mais amamos e nos identificamos: os amantes de livros!


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3 comentários:

  1. oi Eduarda, adorei a matéria e confesso que fiquei curiosa para ler esse livro. O nome é realmente inusitado, mas quando o assunto é pós-guerra e um amor proibido arrebatador, já sei que é para se emocionar.

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  2. Menina, eu descobri esse livro por acaso, graças ao face tb, mas foi numa brincadeira em que eu estava participando e eu precisava de um livro com um título bem incomum. Aí achei esse, mas não fazia ideia da trama dele, confesso. Achei bem legal! Se tiver a chance, lerei com certeza!

    =)

    Suelen Mattos
    ______________
    ROMANTIC GIRL

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  3. Adorei a resenha, excelente. Adoro essas histórias que tem uma comunidade e como ela se relaciona... Fiquei com muita vontade de ler!

    http://www.karolgoncalves.com/

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