In Eduarda Graciano livros resenha

Um Útero é do Tamanho de um Punho, Angélica Freitas.


  "Em seu segundo livro, a gaúcha Angélica Freitas reúne 35 poemas marcados por uma visão crítica extremamente original, animada por um humor que deixa o leitor em suspenso entre a seriedade e o riso. Os versos precisos revelam o domínio da poeta sobre a linguagem.
  Um útero é do tamanho de um punho tem a mulher como centro temático: procurando definir que figura feminina é essa que nossa cultura trata de desenhar e que se desconstrói incessantemente, a autora questiona de um lado o mundo, de outro a própria identidade."
 Um Útero é do Tamanho de um Punho  96 Páginas – Cosac Naify – Angélica Freitas – Ano 2012.



                                                     Resultado de imagem para um utero é do tamanho de um punho 
  

   Há quem diga que não existe mais diferença no tratamento entre homens e mulheres nos dias de hoje.  
  Com um humor ácido, a poetisa gaúcha Angélica Freitas nos traz reflexões acerca do papel feminino na sociedade contemporânea.



  Os poemas de Ribeiro denunciam e ironizam várias situações vividas pelo gênero feminino ainda nos dias hoje, onde muita gente acredita que há igualdade entre os sexos.


"o que será que ela quer
essa mulher de vermelho
alguma coisa ela quer
  pra ter posto esse vestido"


 Dividido em 7 partes, temos textos que exploram o cotidiano e vão da desigualdade e do preconceito de gêneros (inclusive sobre transexualidade) ao empoderamento. É sobretudo um discurso de mulher pra mulher.

  A autora consegue estabelecer com a leitora (sim, pois se você for homem, não vai se identificar mesmo) um diálogo bacana que nos aproxima dela e de certa forma, umas das outras.


Ah, referências...

  Seu corpo é seu? O que você tem perdido/ganhado/vivido simplesmente por ser mulher?

  Recomendo pela reflexão, pelas risadas (e lágrimas) e por se tratar de um grito (na verdade o livro é tão leve que está mais pra um sussurro) de igualdade de mulher brasileira pra mulher brasileira.
  Pro inferno com os padrões!

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In cotidiano

As 4 leituras insatisfatórias de 2017.


 Apesar do ano de 2018 já estar na terceira semana e as listinhas de 2017 estarem dando lugar a outros tipos de postagens resolvi fazer esta seleção de quatro leituras que apesar de serem bem construídas em alguns aspectos, foram insatisfatórias para mim no ano de 2017.

 Desde já deixo bem claro que não é uma afronta, ofensa e nem desmerecimento ao trabalho dos escritores dos livros que estão na seleção, pois as opiniões normalmente divergem umas das outras e estes foram selecionados com base em meu aval crítico explícitos nas resenhas.

SACRAMENTO “Não leia este livro se não estiver disposto a passar a madrugada imerso no rio de suas palavras. Deixe-o para quem deseja se entregar à sua trama como um apaixonado, à fluidez dessa obra envolvente e um tanto, original. Leitor, deixe-me apresentar: Essa é a história de William, o amigo que todo suicida precisa. De Anderson, o psicopata do bem. Marina, a mulher que amou demais. E Johnny Sacramento, o homem que (quase) morreu três vezes”. Páginas: 400 – Novos Talentos da Literatura Brasileira – Felipe Cangussu  – Ano 2013 – Ficção/Suspense




EU NÃO SABIA “O que você faria se descobrisse segredos sobre o passado de seus pais? Após perder a mãe, Vivian se depara com achados no notebook da jornalista. Bailarina que mora em Nova Iorque, Vivian mergulha em cartas, mensagens, fotografias cuidadosamente arquivadas além de registros que Débora organizava para um livro. Obcecada pelo que lê, Vivian conta com o apoio à distância da melhor amiga, Patrícia, bailarina brasileira que conheceu em Nova Iorque. Nas idas e vindas de Vivian para entender quem foi sua mãe, ela própria refaz sua trajetória de vida”. | Páginas: 158 - Chiado Editora - Neta Mello - 2016 - Ficção.


O HISTÓRICO INFAME DE FRANKIE LANDAU-BANKS Aos catorze anos, Frankie Landau-Banks era uma garota comum, um pouco nerd, que frequentava a Alabaster, uma escola tradicional e altamente competitiva. Mas tudo muda durante as férias. Na volta às aulas para o segundo ano, o corpo de Frankie havia se desenvolvido, e ela havia adquirido muito mais atitude. Logo ela chama a atenção de Matthew Livingston, o cara mais popular do colégio, que se torna seu novo namorado e a apresenta ao seu círculo de amigos do último ano. Então Frankie descobre que Matthew faz parte de uma lendária sociedade secreta - a Leal Ordem dos Bassês -, que organiza traquinagens pela escola e não permite que garotas se juntem ao grupo. Mas Frankie não aceitará um "não" como resposta. Esperta, inteligente e calculista, ela dará um jeito de manipular a Leal Ordem e levantará questionamentos sobre gênero e poder, indivíduos e instituições. E ainda tentará descobrir se é possível se apaixonar sem perder a si mesma”.344 Páginas – Editora Seguinte – E. Lockhart  – Ano 2013 – Ficção/YA.


LEON “Quando seu mundo se expande tão rápido que você precisa se reinventar e correr para acompanhá-lo. Quando, de repente, parece que toda a sorte resolveu te acompanhar de uma só vez. Quando os sentimentos mais ocultos afloram em explosão, no momento em que não se julga preparado. Tudo isso e mais um pouco aconteceu com o pacato Leon. Leão, para os íntimos, é filho de lavradores do interior paulista e conseguiu, por esforço próprio, uma aprovação no concorrido vestibular de Medicina da UFRJ. Trocou o campo pela viciante confusão do Rio de Janeiro e seus personagens. Logo no início da faculdade conheceu Arthur, um rico amigo que o abraçou como membro da família. Em pouco tempo, Leon foi convidado a frequentar e morar de frente para o mar, numa das coberturas mais caras da Barra da Tijuca. Tudo parecia tão fácil e perfeito, que o lado imperfeito ficou com inveja. Arthur, sua mãe e irmã – de apenas 14 anos - iniciaram um jogo de sedução particular com o belo e cativante Leon que, inseguro, se enrolava cada vez mais nas teias dessa gente dominadora. Confuso entre sentimentos verdadeiros e descartáveis, além da própria sexualidade, ele se apaixonou pelo amigo, mas vive o dilema dramático de se afastar dessa família que tanto o transformou e, por conseguinte, do próprio Arthur, com medo que este descubra seus sórdidos segredos.
Nada é tão simples assim na escola da vida. Leon teve de amadurecer à força e tomar decisões que transformariam de vez sua história. O peso de cada escolha era o novo e diferente caminho a seguir. O que fazer?
Este livro trata dos sentimentos e dúvidas verdadeiros de pessoas comuns em busca da felicidade. Trajetórias de altos e baixos que afloram o autoconhecimento, trancafiando ou libertando de vez o leão enjaulado em cada um de nós”. Páginas: 236 – Chiado Editora – Felipe Sales Mariotto – Ano 2015 – Ficção

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In dicas Eduarda Graciano

As 5 melhores leituras de 2017


E aí gente bonita? Vim compartilhar com vocês minhas melhores leituras do ano passado. Eu ia dizer que não, mas quando terminei o post, percebi que estão mesmo em ordem de preferência (ordem regressiva).



O Senhor das Moscas


Esse livro foi o primeiro que eu resenhei aqui no blog. Clique aqui para relembrar minhas considerações sobre essa excelente e angustiante leitura.

 Sinopse: Um grupo de crianças e adolescentes, após um acidente, vai parar em uma ilha deserta. Os jovens, aos poucos, vão se reunindo num grande grupo. Em assembléia, designam um líder. Longe dos códigos que regulam a sociedade dos adultos, esses jovens terão de inventar uma nova civilização alicerçada exclusivamente nos recursos naturais da ilha e em suas próprias fantasias.



As Meninas

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O único da lista que não tem resenha aqui (quem sabe um dia). O único nacional também. 
A obra de Lygia Fagundes Telles se passa durante a época da Ditadura Militar e segue três jovens amigas que moram num internato de freiras e compartilham com o leitor, cada uma através de seu fluxo de consciência, seus conflitos e angústias.

 Sinopse: Num pensionato de freiras paulistano, em 1973, três jovens universitárias começam sua vida adulta de maneiras bem diversas. A burguesa Lorena, filha de família quatrocentona, nutre veleidades artísticas e literárias. Namora um homem casado, mas permanece virgem. A drogada Ana Clara, linda como uma modelo, divide-se entre o noivo rico e o amante traficante. Lia, por fim, milita num grupo da esquerda armada e sofre pelo namorado preso.
 "As Meninas" colhe essas três criaturas em pleno movimento, num momento de impasse em suas vidas. Transitando com notável desenvoltura da primeira pessoa narrativa para a terceira, assumindo ora o ponto de vista de uma ora de outra das protagonistas, Lygia Fagundes Telles constrói um romance pulsante e polifônico, que capta como poucos o espírito daquela época conturbada e de vertiginosas transformações, sobretudo comportamentais.



 Anne de Green Gables



Velho conhecido de vocês. Estou resenhando a série de oito livros (clique aqui para acessar a resenha desse e aqui para acessar a última resenha) e apesar da Anne ter um lugar fixo no meu coração, nenhum dos outros livros que contam a história dessa ruivinha me cativou como o primeiro! 

 Sinopse: Uma menina de 11 anos, com cabelos ruivos, sardas e uma mente tão perspicaz quanto a de um cientista em busca de conhecimento, chega a uma terra onde as tardes são calmas; os pores do sol alaranjados; as florestas aconchegantes; e os rios suaves, como o ritmo do povoado. Sua boca é uma matraca, e seus sonhos são maiores que moinhos de vento. Anne vai crescendo e crescendo, e de patinho feio revela-se um elegante e atento cisne, pronto para abrir suas asas e voar para além das veredas. Mas a vida é feita de artimanhas, e a garotinha adotada pelos irmãos Marilla e Matthew tem algumas cercas a pular, sem jamais deixar seus sonhos desvanecerem, como algumas criaturas fazem.



Psicose


Uma grata surpresa no ano de 2017! Sou super fã do Hitchcock e do filme Psicose, mas nunca me interessei em ler a obra original. No meu preconceito, fiquei imaginando que nem chegasse aos pés da adaptação. Ledo e feliz engano!
Clique aqui pra ler a resenha desse suspense de primeira!

 Sinopse: Psicose, de Robert Bloch, foi publicado originalmente em 1959, livremente inspirado no caso do assassino de Wisconsin, Ed Gein. O protagonista Norman Bates, assim como Gein, era um assassino solitário que vivia em uma localidade rural isolada, teve uma mãe dominadora, construiu um santuário para ela em um quarto e se vestia com roupas femininas. Em 'Psicose', Bloch antecipou e prenunciou a explosão do fenômeno serial killer do final dos anos 1980 e começo dos 1990. O livro, assim com o filme de Hitchcock, tornou-se um ícone do horror.



The Virgin Suicides


 Esse foi meu favorito do ano. Resenhei para a campanha Setembro Amarelo, então já sabem que é uma leitura pesada. Deprê e trágica do jeitinho que eu gosto.
 Clique aqui para recordar os acontecimentos que mudaram a vida de todos as pessoas ligadas à Mary, Therese, Lux, Bonnie e Cecilia.

 Sinopse: O mais chocante sobre as irmãs Lisbon é o quão normal pareciam quando sua mãe lhes deu permissão para irem ao único encontro de suas vidas. Vinte anos depois, suas personalidades enigmáticas estão guardadas nas memórias dos garotos que as idolatravam e agora recordam a época da adolescência: o sutiã sobre um crucifixo que pertencia à promíscua Lux; a aparência deslumbrante das irmãs na noite da formatura; e a rua abafada e sonolenta através da qual eles assistiram a desintegração de uma família e ao desaparecimento de vidas frágeis.   



   E vocês, quais livros mais gostaram de ler no ano de 2017?



  Obs: Lembrando que tem uma promoção rolando na página do blog no face. Quem participar estará concorrendo a uma cópia do último lançamento do John Green. O sorteio rola no dia 15 e é preciso ter facebook, viu?
  Clique na imagem abaixo para saber como participar e boa sorte! 

             
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In Eduarda Graciano livros resenha

Tristessa, Jack Kerouac.



  "Tristessa é uma junkie decaída, viciada em morfina, que vive na Cidade do México, e por ela se apaixona Jack, o protagonista deste romance, um poeta norte-americano. Publicado pela primeira vez em 1960 e baseado em fatos autobiográficos (em 1955 Kerouac apaixonou-se por uma prostituta índia chamada Esperanza), Tristessa é um belo exemplo da prosa poética do autor. O narrador do livro é todo compaixão ao descrever a sórdida vida de Tristessa, sua inocência corrompida e a peregrinação dos dois e de seus amigos (entre eles Allen Ginsberg) pelo submundo da capital mexicana. Um romance triste, de linguagem pulsante, cheio de ensinamentos budistas e repleto de compaixão pelo sofrimento humano." Tristessa  112 Páginas – L&PM Pocket – Jack Kerouac – Ano 2006 (Originalmente em 1960).



                                                     Imagem relacionada
   


  Jack é um poeta americano que vive na Cidade do México e nutre uma paixão pela colega Tristessa, uma mexicana nativa viciada que sucumbe cada vez mais às drogas.




  Temos por Kerouac, nessa novela, um povo mexicano abandonado e marginalizado. A história não se passa nas ricas mansões das novelas e sim nos espaços urbanos símbolos de decadência e pobreza: os guetos, becos e calçadas encardidas. 

  Seu protagonista - que tem o mesmo nome, pois se trata uma autobiografia - é um jovem americano, poeta, que vive há algum tempo no país vizinho e divide sua realidade com Bull, outro estrangeiro melancólico e viciado, e Tristessa, que vive para e pela morfina.

  Acompanhamos, durante as andanças de Jack, suas angústias e preocupações com aquela que dá nome à obra, por quem ele nutre um amor quase platônico, e com quem sabe que não poderá ficar, já que sempre perderia para a heroína, a morfina e para as bolas (tive que pesquisar e pelo que entendi se trata de anfetamina) na preferência da garota.

   " [...] Ou ela vai morrer em meus braços ou vão apenas me contar sobre isso."

 Esse é meu primeiro Kerouac e apesar de um livro curtíssimo, a leitura não é assim tão fácil, já que o autor derrama seus pensamentos numa espécie de fluxo de consciência. Achei a narrativa bastante poética e viva, visto que estamos imersos ali naquele mundo das drogas, do sexo e, porque não dizer, da sujeira. 

  Tess vive para isso. E Jack sabe que em algum momento ela sucumbirá. Só resta a ele estar ali então.



  Os personagens (além de Tess, Bull e Jack, podemos destacar El Indio e Cruz) estão todos absorvidos por essa sobrevivência sem sentido, vagando de bar em bar, de beco em beco, sempre em busca da próxima dose.

   " Porque Tristessa precisa de minha ajuda mas não vai aceitá-la e eu não vou dar - mas, supondo que todos no mundo se dedicassem a ajudar os outros o dia inteiro, por causa de um sonho ou de uma visão de liberdade de eternidade, o mundo não seria então um jardim?"

   Está aí um livro que te faz sentir. Pulsar. A melancolia permeia toda a história e nós leitores vamos seguindo Jack e Tristessa, pelas duas partes em que ela é dividida, torcendo o tempo todo para que esses personagens, tão queridos à nós então, rumem para outro destino que não a decadência.

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In text

Estágios da liberdade.

imagem: Um brinde a liberdade

 Liberdade, palavra singela e forte. De conformidade com a  lei significa o conjunto de ideias liberais e dos direitos do cidadão. Já na vida significa o livre arbítrio desde que este não prejudique a terceiros. É interessante como a liberdade funciona e porque a filosofia a classifica como a independência humana, sendo esta o poder de autonomia e de espontaneidade. E também do latim libertas com sinônimos de ousadia, franqueza e familiaridade. São ótimas as palavras por sinal! Porém o melhor estágio da liberdade é a liberdade de expressão onde podemos de fato externar opiniões e crenças sem sermos censurados. Talvez essa seja uma de minhas paixões. Exprimir!

 Produzir conteúdo hoje para a internet para algumas pessoas é algo dispensável, ou até mesmo normal e rotineiro, mas para alguns funciona como uma paixão e até mesmo como uma forma de se libertar daquilo que sua mente o aprisiona, de colocar em palavras aqueles pensamentos que tomam conta do seu cérebro. Expressar, expor, a tudo existe um sinônimo, e pelo que transparece sinônimo de escrita é paixão.

 Viajo entre mundos dentro de minha própria mente usando e abusando cada vez mais de minha liberdade e sensos cognitivos, despertam em mim sensações de justiça, clemencia, medo, raiva, amor, paixão, -  e como diria Roberto Carlos "são tantas emoções..." - e durante o processo criativo não é diferente. Por vezes imagino um cenário, a fisionomia dos personagens perfeitinhos que eu construo, mas a realidade é que quando escrevo eu apenas me liberto de mim mesmo e deixo que algo tome conta daquilo que antes se fez gente, para que se torne arte. Arte que nada define, arte que apenas exposta é posta e reconhecida como se ali fosse o seu lar.

 Ilustro com fertilidade em uma mente cheia de departamentos inexplorados, palavras, formas, contextos, matérias, teorias, cores, são tantos detalhes que talvez eu não tenha entrado no verdadeiro estágio de liberdade, mesmo que para alguns se torne estranho alguém ser livre pelo poder de criar e escrever.

 Suponho que todos tenhamos estágios de livre arbítrio mesmo que inexplorados, nós temos, então não desanime, apenas se delicie com aquilo que você esquadrinha, seja hoje o protagonista de sua própria história. Traga a tona, mostre ao mundo o seu talento. Existem diversos, mas você já parou para pensar porque descobrir sua liberdade te torna tão especial?

* Final da matéria, mas não saia dela sem antes deixar um recadinho sobre o que te faz livre, vou amar conversar com você!

fontes:
https://www.significados.com.br/liberdade/
https://www.significadosbr.com.br/liberdade
https://arita.com.br/blog/o-que-e-liberdade-para-voce
https://www.meusdicionarios.com.br/liberdade

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In livros resenha

Ascensão - Crônicas dos Orcs Negros, Thiago Drumond.





No sul do continente de Kargeth, cercado por montanhas está a região de Deserto Negro, a terra natal dos Orcs Negros. Dentro do deserto se encontra a Cidade do Oásis, governada pelo atual líder, que é corrupto. A aliança entre Elfos, Anões e Homens oprime todas as outras raças de Kargeth. Devido ao preconceito, os Orcs Negros foram marginalizados. No meio dessa miséria surge um guerreiro que preza pela honra acima de tudo, ele é Blorgk, um orc negro que com a ajuda de seus amigos toma o poder para eles e tenta melhorar a qualidade de vida de seu povo. Além disso, pretende reconquistar os Campos Verdejantes, um território ao norte de Deserto Negro que foi tomado pelos Homens na última guerra. Será que Blorgk e seus amigos conseguirão manter o controle da Cidade do Oásis? Será que outras raças se juntarão a eles para finalmente lutarem por uma vida digna? | Páginas: 196 – Autor Independente – Thiago Drumond – Ano 2017 – Ficção.






 A história que o autor Tiago Drumond nos conta em terceira pessoa, é um tanto curiosa, pois se trata dos orcs negros e valentes que através de Blorgk e seu governo conseguem atingir patamares nunca antes imaginados. Os orcs neste contexto são criaturas, de primeira, oprimidas não só por seu reino, mas também por outras raças que convenhamos não são nada empáticas, e quando uma dessas criaturas resolve fazer uma revolução não há como negar que seja uma loucura, mas também que não seja ótimo para sua liberdade.

 Quando Blorgk toma a frente do poder do reino com sua esposa nos deparamos com um cenário deveras interessante a considerar pelo modo de vida e de governo antes levados pelas criaturas. Suas ideias, princípios e estratégias são incríveis até certo ponto e ilustram nitidamente a valentia, coragem e anseio por liberdade da raça, mas será que isso garantiria a paz entre os reinos, ou até mesmo a união entre eles?

 A escrita do autor, em Ascensão, Cônicas dos Orcs Negros, nos proporciona uma viagem ilustre sobre a fisionomia dos personagens, o cenário, a vida que levam, entre outras caracteres e isso é incrível porque com a fluidez de sua escrita somos transportados a um novo mundo.

 Os pontos de maior destaque foram o cuidado com a diagramação, que para uma publicação independente isso conta e muito, assim como todos os outros aspectos físicos como capa, paginação, abertura de capítulos, estão impecáveis.

 Eletrizante, mas ao mesmo tempo com uma aventura na medida certa. Detalhes e aspectos do enredo são pontos qualitativos a te fazer amar a escrita do escritor.

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In Eduarda Graciano livros resenha

Norte e Sul, Elizabeth Gaskell.


  "Norte e Sul retrata os efeitos da Revolução Industrial no solo inglês. As personagens principais: Mr. Thornton e Margaret dualizam o norte (industrial, sujo e sem modos) e o sul (bucólico e aristocrático). O relacionamento entre os dois pode evocar no leitor lembranças de Orgulho e Preconceito , pois, assim como na obra de Austen, as personagens de Gaskell também precisam passar por cima das convenções sociais e dos pré-conceitos em busca do amor e da realização. O romance “Norte e Sul” foi escrito e publicado na revista Household Words na forma de folhetim, como era de costumeiro, no ano de 1854, quando a Inglaterra sofria os efeitos da Revolução Industrial e das mudanças delas advindas. A mola propulsora do enredo é a mudança da família de Margaret, da idílica cidade de Helstone, sul da Inglaterra, para o centro industrial de MiltonNorth & South  544 Páginas – Editora Landmark – Elizabeth Gaskell – Ano 2010 (Originalmente em 1855).

             
                                       
                                                        Resultado de imagem para norte e sul elizabeth gaskell


  Na pacata cidade de Helstone, na Inglaterra rural do século XIX, vive Margaret Hale. A jovem de 19 anos, após morar por alguns anos na capital, vive no campo uma vida tranquila e feliz com os pais.

  Certo dia, porém, seu pai - que é pastor - mergulha em delicadas questões de consciência que fazem com ele decida deixar seu posto na igreja. Os Hale são, então, obrigados a se mudar, e Margaret enfrentará grandes dificuldades na tentativa de se adaptar à fumacenta e deprimente cidade industrial de Milton.
  

  Ainda absorta em sua recusa ao pedido de casamento de Henry Lennox, o cunhado de sua prima Edith, Margaret recebe a notícia de que terá de deixar seu tão amado sul.

  Apesar de muito jovem, a moça tem personalidade decidida e opiniões fortes. Por conta disso, de cara desenvolve uma animosidade com o rico industrial John Thornton, um dos pupilos de seu pai (que, com problemas financeiros, agora dá aulas) que é dono de um próspero moinho de algodão.

  Margaret acha John duro, frio e tão insensível quanto a cidade à qual pertence. Ela não compreende a desumanidade com que os industriais tratam seus empregados e chega a confrontá-lo em diversos momentos. 


 " - O senhor não sabe nada do sul. Se há menos aventura e menos progresso suponho que não devo dizer menos excitação provocados pelo espírito de jogatina do comércio, que parece forçar a criação dessas maravilhosas invenções, também há menos sofrimento. Vejo homens aqui, andando de um lado para outro nas ruas, que parecem derrotados por alguma perturbadora tristeza ou preocupação, e que não são apenas sofredores, mas inimigos. Lá no sul temos lá os nossos pobres, mas não há nos seus rostos essa terrível expressão de doloroso senso de injustiça que eu vejo aqui."

  Em meio à poluição de Milton, à desentendimentos e aos primeiros movimentos grevistas que marcaram a revolução industrial, Margaret precisará habituar-se à visão da desunião, da pobreza e da fome, e a lidar com os sentimentos de um homem a quem despreza mais do que ninguém.




  Não tem como começar 2018 melhor.

  Norte e Sul (também já lançado como Margaret Hale, o nome com o qual seria lançado a princípio) é maravilhoso e um dos meus livros favoritos da vida! Ele merecia mesmo o nome de sua protagonista, que e é extremamente inspiradora e sofre muito durante a história.

  Quem já ouviu falar desse livro provavelmente conhece às comparações com Orgulho e Preconceito (a Gaskell realmente bebeu dessa fonte) acompanhado do do termo "consciência social" ou ainda "se Jane Austen e Karl Marx tivessem escrito um livro..."

 Norte e Sul é uma pedida, eu diria até fundamental, para quem quer conhecer o contexto da revolução industrial e as condições de trabalho em meados do século XIX. Gaskell nos apresenta de forma magnífica os primeiros movimentos sindicalistas e a luta entre a classe burguesa e a classe trabalhadora.

  John Thornton é o típico patrão burguês. Após a morte do pai, assumiu a responsabilidade da casa e ergue do nada sua fábrica têxtil. Assim sendo, a prosperidade de seus negócios é o mais importante para ele. E Margaret o enxerga como alguém que passa por cima de tudo e de todos para crescer.

  Sendo o mocinho, o Sr. Thornton não pode ser de fato um diabo, e de todos os industriais retratados, temos consciência de que ele é o mais humano (ainda que Margaret não o saiba).

  " [...] Será que fora feito todo o possível para minorar os sofrimentos daqueles poucos? Ou, no triunfo da multidão, seriam os fracos pisoteados , ao invés de serem gentilmente afastados do caminho do vencedor, a quem não tinham condições de acompanhar na sua marcha?"

  Os dois protagonistas são a personificação de tudo o que representam o norte e o sul naquele contexto. Essa oposição leva ambos à várias discussões durante a leitura, sobretudo a respeito dessas duas regiões, instigadas pelo preconceito que carregam. 

  O preconceito é um tema muito retratado no romance, através de Margaret principalmente, que tinha, por exemplo, uma visão da classe operária antes de se mudar para o norte, e de repente se vê no meio de uma luta de classes, da qual acaba tomando parte ao fazer amizade com Nicholas Higgins e sua filha Bessy - esta acometida de uma doença incurável nos pulmões por conta dos anos passados em fábricas. 


 “...– Mas por que fazem greve? – perguntou Margaret. – Entrar em greve é deixar o trabalho até que consigam os salários que desejam, não é? Não se espante com a minha ignorância, lá onde eu vivia nunca se ouviu falar de uma greve.
  – Quem dera eu vivesse lá – disse Bessy, com a voz cansada. – Mas não suporto mais ficar doente e cansada com essas greves. Esta é a última que vou ver. Antes que termine, já estarei na Grande Cidade, a Sagrada Jerusalém."

  Nicholas é um dos líderes do movimento grevista e Margaret fica no fogo cruzado ao manter relações estreitas tanto com operários quanto com um patrão (ainda que com esse o laço não seja exatamente de amizade).

  Essa posição da Margaret é interessantíssima para o leitor, que pode vivenciar intimamente o que acontece nos dois lados da história. Mas que fique claro que não é uma questão de torcer para um desses lados. Se torcemos pra alguma coisa, é para que o Sr. Thornton e a Srta. Hale sejam ambos menos cabeças-dura e se entreguem afinal aos seus sentimentos. Sentimentos esses que Margaret reluta bastante em assumir.

  E não sei se minha resenha deixou transparecer mas, sim, dá pra suspirar bastante!




   Já faz um tempinho que li esse livro e posso dizer que não tinha como eu estar mais "imersa" no contexto, já que lá estava eu sentada na escadaria da prefeitura de Campinas (da qual sou funcionária) em meio à greve dos servidores lendo justamente Norte e Sul. 

  É claro que me senti ainda mais fortalecida e inspirada, não só pelo contexto, mas principalmente por estar em companhia de uma mocinha tão independente e corajosa como Margaret Hale.

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